• Artigos 30.08.2010 No Comments

    Nos útimos anos, problemas durante a realização da lipoaspiração têm ocupado espaço na mídia, em todo o País. “Nalipo verdade” não existe uma cirurgia mas arriscada do que outra, nem mesmo as cirurgias plásticas. A lipoaspiração está sujeita às mesmas complicações que qualquer outro procedimento cirúrgico”, explica Ruben Penteado, cirurgião plástico, diretor do Centro de Medicina Integradoa.
    Após mais de 30 anos de aplicação técnica, a lipoaspiração está consolidada no Brasil. As estatísticas da Socidade Brasileira de Cirurgia Plástica, SBCP, indicam a realização de 90.000 lipoaspirações por ano. “Precisamos avançar nas questões que garantam maior segurança à realização do procedimento, o que necessariamente passa por uma melhor qualificação dos profissionais, destaca o médico.
    Segundo Penteado, problemas com a lipoaspiração acontecem quando a indicação do procedimento não é precisa. Frequentemente, a lipoaspiração é procurada por pessoas que estão acima do peso. “A lipoaspiração não é um método de emagrecimento. É um procedimento destinado a remover gordura localizada, como as que se encontram debaixo dos braços, nos quadris e na região abdominal. É o tipo de gordura que dificilmente pode ser eliminado, mesmo com o auxílio de exercícios físicos e de uma nova dieta”, explica Ruben Penteado, que também é membro da SBCP.
    Ele destaca que esta regra só se aplica a pacientes adultos. Crianças, ainda que tenham acúmulo de gordura no corpo, a ponto de comprometer seu bem estar físico e psicológico, não devem se submetidas à lipoaspiração. “Já para os adolescentes, a lipoaspiração pode ser indicada, contanto que o jovem operado não seja obeso”. destaca.
    Além da indicação bem feita, as contra-indicações precisam estar bem claras também. “A partir de 10% a mais do peso ideal, os resultados da lipoaspiração não são tão satisfatórios. É importante entender que se trata de uma cirurgia de acerto de contornos e não deve ser encarada como um método para emagrecer”, explica Penteado.
    Há um limite de gordura que pode ser retirado. De acordo com as normas do Conselho Federal de Medicina, não se pode passar de 7% do peso corporal do paciente na lipoaspiração úmida (com injeções de soluções líquidas) e 5% de retirada de gordura na lipoescultura a seco.
    Doenças cardíacas graves, alterações pulmonares, anemia, diabetes e hipertensão arterial precisam estar sob controle para que o paciente seja operado.

    Fonte: Zona Oeste (Saúde)

  • Artigos 17.05.2010 No Comments

     

     

    Não se espante caso um dia saia do consultório médico com a seguinte prescrição para as têmporas doloridas: sue a camisa, de preferência gastando a sola do tênis ou pedalando. É o que se conclui dos resultados obtidos pelo primeiro estudo epidemiológico sobre dor de cabeça realizado no Brasil. Assinado pelos neurologistas Luiz Paulo de Queiroz, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Mario Peres, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o trabalho ouviu 3 848 pessoas escolhidas aleatoriamente, de ambos os sexos, com idade entre 18 e 79 anos, em todo o país.

    O objetivo foi estimar a prevalência de enxaqueca e cefaléia – nome científico da dor de cabeça comum – entre os brasileiros. Além disso, procurou avaliar a relação entre esses tormentos e hábitos do dia a dia, como a prática regular de exercícios físicos. No final, os dados da pesquisa são um estímulo e tanto para todo mundo levantar da cadeira e se mexer – aliás, não só para quem vive com a sensação de que a testa está prestes a explodir. “Os sedentários apresentaram 43% mais enxaqueca e 100% mais cefaléia crônica, com crises diárias, do que os indivíduos que se exercitam”, conta Queiroz. A explicação para esse elo entre menor incidência de dor de cabeça e malhação está nos nossos neurônios. “Os exercícios aumentam a produção de endorfinas, neurotransmissores que proporcionam bem-estar. Eles funcionam como uma “morfina natural”, compara o médico.

    O especialista em medicina do esporte Moisés Cohen, também da Unifesp, acrescenta: “Alguns artigos sugerem que outras substâncias liberadas durante a atividade física, como a epinefrina e os esteróides, podem estar por trás do alívio”. A melhora na circulação sanguínea, que provoca um aumento da oxigenação cerebral, é mais um fator que colabora para o fim das dores. “Sem contar a diminuição do estresse”, complementa a neurologista Norma Fleming, coordenadora responsável pelo Ambulatório de Cefaléia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e presidente da Associação de Dor do mesmo estado.

    Como as endorfinas estão diretamente ligadas a uma menor ocorrência de crises, os exercícios mais indicados para o combate da dor de cabeça são aqueles que mais estimulam a liberação dessas substâncias – os aeróbicos, como a caminhada, a natação e a corrida de baixo impacto. “Os exercícios de fortalecimento muscular também produzem algum efeito, porém em menor grau”, nota o cardiologista José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.

    “As atividades que envolvem relaxamento, como o alongamento e a ioga, e as lúdicas, como a dança de salão, também podem ajudar a diminuir os sintomas, graças ao bem-estar que proporcionam”, observa o neurologista e especialista em dor Eduardo Barreto, coordenador do Serviço de Neurocirurgia da Rede D’Or, que compreende hospitais e laboratório no Rio de Janeiro. Em relação à frequência, para que a melhora da dor seja flagrante, os especialistas recomendam suar a camisa três vezes por semana, entre 30 e 60 minutos. “Mas, no meu estudo, até mesmo aqueles que fizeram uma única sessão semanal de exercícios apresentaram uma diminuição nas crises”, afirma Luiz Paulo de Queiroz.

    Além de privilegiar os esportes aeróbicos, a maneira como se pratica a atividade física conta muito. Se for feita de maneira incorreta, o feitiço se volta contra o feiticeiro – em vez de mitigar a dor, a malhação acaba por torná-la mais forte e, pior, pode aumentar o número de episódios de crise. “Os exercícios muito intensos ou realizados sem o devido aquecimento não são bem-vindos, especialmente para quem vive com dores de cabeça”, alerta José Kawazoe Lazzoli.

    Outra: para que o esporte só produza alívio, é fundamental alimentar-se bem antes e depois dos treinos. Respirar em um ritmo normal ao exercitar o corpo é igualmente recomendação importante. A tendência é prender a respiração quando a gente se esforça em demasia porque a glote, estrutura que se localiza na laringe e que impede a entrada dos alimentos nas vias respiratórias, se fecha. Mas daí a pressão arterial se eleva, o fluxo sanguíneo em direção à cabeça cai e, não demora para aquela sensação ruim pintar na testa e adjacências. Além disso, só saia correndo por aí após se submeter a uma avaliação médica. “O aval de um especialista, assim como o acompanhamento de um fisioterapeuta ou fisiatra quando o indivíduo tiver problemas posturais, é imprescindível”, lembra Barreto.

    Infelizmente, nem todo mundo encara a atividade física como aliada contra as dores que atormentam a cabeça. “Existem trabalhos que, ao contrário, afirmam que a enxaqueca, em alguns casos, pode ser desencadeada pelos exercícios”, conta Moisés Cohen. “Nos pacientes em que a crise é provocada pelo esporte, o problema ocorre mesmo quando ele é praticado corretamente”, lamenta Norma Fleming. Ainda bem que casos assim são mais raros. “Fazer um diário da dor ajuda a identificar se esse é um dos agentes que funcionam como gatilho para o desconforto – ou se é o oposto, quer dizer, uma maneira de alívio”, dá a dica Barreto. E claro: ninguém deve fazer nenhum tipo de atividade física em plena crise de enxaqueca. “Nessa situação, sim, os exercícios podem exacerbar o problema”, alerta Luiz Paulo de Queiroz. Para quem não se encaixa nesse perfil (o que vale para a maioria), a suadeira pode ser o melhor remédio.

    por Thaís Szego

    artigo do site: http://saude.abril.com.br

     

  • Artigos 06.05.2010 No Comments

    “Perdi cinco quilos de gordura. Ganhei em músculos. É preciso fazer muita força agora que o traje não ajuda mais a manter o corpo em cima”. A frase é do vice-campeão mundial Felipe França. E mostra como os nadadores estão encarando a nova era da natação mundial, sem os supermaiôs que impulsionaram mais de 100 recordes mundiais no ano passado e estão banidos das piscinas desde 1º de janeiro.

    Segundo todos consultados pela reportagem do UOL Esporte, os trajes de poliuretano representavam ganho de flutuabilidade aos nadadores. Quem se beneficiava mais eram os nadadores mais fortes e pesados, que não precisavam fazer tanta força para ficar na superfície. “Para alguns atletas, o traje representava aquela diferença entre um tempo muito bom e um recorde mundial”, explica Alberto Silva, o Albertinho, técnico do Pinheiros.

    Para contra-balancear esse efeito, os nadadores enfrentaram duas alternativas: ficar mais leves ou ficar mais fortes. Para Felipe França, a segunda alternativa foi a escolhida. “Fizemos uma preparação diferente, para segurar aquele corpo dele em cima na água. Ele vai ter de fazer mais força do que todo mundo”, diz Arílson Soares, técnico do vice-campeão mundial.

    Outros, como o também peitista Tales Cerdeira, apostaram no peso. “Eu sempre fui muito leve e os trajes não influenciavam tanto. Prova disso é o tempo que fiz aqui”, fala o nadador, que em Santos fez a quinta melhor marca do mundo em 2010 nos 200m peito (2min10s91).

    Nos EUA, a regra também é apostar nos músculos. Que o digam os novos companheiros de Cesar Cielo em Auburn, Nicholas Santos e Henrique Barbosa. Os dois passaram o primeiro semestre treinando por lá e tiveram o gostinho da preparação que fez Cielo conquistar o ouro olímpico e dois títulos mundiais.

    “O treino na água é intenso, mas muito curto. Não nado mais do que 4 mil metros por dia, mas a musculação é muito puxada. Bem mais do que aqui”, conta Nicholas. “É um trabalho muito intenso. Muito mais musculação do que eu fazia em Paris ou no Pinheiros”, completa Henrique.

    “É bom ter essa mudança drástica. Não adiantaria trocar seis por meia dúzia. Mas a adaptação está custando caro”, continua Henrique. “Com muita musculação, você tem de aprender a nadar como se estivesse descansado mesmo com o corpo pesado de tanto fazer força. Não é fácil”.

    Até agora, o Troféu Maria Lenk, que vai até domingo em Santos, mostrou que os trajes tiveram uma influência muito grande nos tempos registrados no ano passado. Em três dias de competições, só um recorde foi quebrado, a marca do campeonato dos 200m costas – batida pelo austríado Markus Rogan. No ano passado, a maioria das provas teve recordes sul-americanos superados.

    Fonte:
    Bruno Doro
    Em Santos (SP)
    Uol.com.br
  • Artigos 30.04.2010 No Comments

    A prevenção da injúria térmica provocada pelo calor estressante foi o tópico da “1a Conferência Mundial em Estresse pelo Calor: Esforço Físico e Meio Ambiente”, ocorrida em Sydney, Austrália, de 27 de abril a 10 de maio de 1987. Durante esta conferência, os princípios para a prevenção da injúria térmica foram formulados, discutidos e registrados para uso de médicos especialistas, técnicos, treinadores, atletas e outras pessoas interessadas em minimizar os riscos do calor e do exercício (1) . Os participantes da Conferência apresentaram os resultados de suas pesquisas para o Colégio Americano de Medicina Esportiva, o qual referendou as recomendações, e as publicou em um trabalho intitulado “A Prevenção de Injúrias Térmicas Durante Corridas de Longa Distância” (2) e suas discussões. Um resumo deste trabalho é apresentado a seguir.

    Algumas Definições:

    Estresse pelo calor é a sobrecarga de calor originária do metabolismo e do meio ambiente.
    A sobrecarga total térmica está relacionada com a intensidade do exercício (carga metabólica), a temperatura ambiente e o potencial evaporativo do ambiente (este está relacionado com a pressão ambiental do vapor de água, ou umidade relativa do ar).
    Esforço no calor é o efeito do estresse pelo calor no organismo, i.e., a elevação relativa da temperatura interna, a média da temperatura da pele e o aumento da freqüência cardíaca comparativamente a um ambiente frio.
    Exaustão pelo calor é a fadiga que ocorre durante a prática de exercícios em ambientes quentes. Essa fadiga pode ser causada pelo excesso de calor no organismo, a qual ocorre quando a velocidade de perda de calor pelo corpo não é suficiente para eliminar a produção de calor e/ou o ganho do meio ambiente. A exaustão pelo calor pode também ser causada pela desidratação, a qual pode ser responsável pela incapacidade do organismo em manter um fluxo sangüíneo adequado para os músculos esqueléticos em contração.
    Insolação é uma desordem potencialmente fatal que ocasionalmente ocorre após a exaustão pelo calor. Se caracteriza pela perda da consciência (coma) devido ao esforço e por sintomas clínicos de danos no sistema nervoso central, fígado e rins.

    PREVENÇÃO DE DISTÚRBIOS ORGÂNICOS
    CAUSADOS PELO CALOR.

    1. Educação. É muito importante entender que o calor produzido durante o exercício não é facilmente dissipado do corpo quando o meio ambiente é quente e úmido. Recomenda-se que a intensidade do exercício seja moderada quando o clima é quente.
    2.Vestimentas. As roupas isolantes reduzem a área superficial do corpo que transfere o calor.
    É importante diminuir as vestimentas e assim ter uma maior área superficial de pele pela qual a evaporação pode acontecer.
    3. Hidratação. A desidratação progressiva reduz a sudorese e o fluxo sangüíneo para a pele ocasionando um aquecimento excessivo do corpo. É essencial estar bem hidratado antes, durante, e depois do exercício em ambientes quentes (veja na referência bibliográfica 3 os meios para se manter bem hidratado).
    4. Preparo Físico. O treinamento físico e a aclimatação facilitam a expansão do volume sangüíneo e proporciona uma maior dissipação do calor em resposta ao aumento da temperatura interna. A maioria dos distúrbios causados pelo calor acontecem com corredores novatos, idosos, e com aqueles que apresentam problemas circulatórios e respiratórios. Estas pessoas são incapazes de se manter ativas por problemas diversos como oportunidades ou inabilidade. Os grupos de risco devem evitar o calor e a atividade intensa.

    Autores: Ethan R. Nadel

    Artigo do site: http://www.gssi.com.br

  • Artigos 30.04.2010 No Comments

    Principais tópicos
     
    - Os primeiros sintomas da fadiga que ocorrem durante a prática de exercícios no calor, podem ser devidos aos efeitos diretos de hipertermia, ou dos efeitos indiretos, associados a uma diminuição de débito cardíaco e uma redução concominante do VO2 max, resultado de uma menor circulação sangüínea periférica.
    - O calor produzido como produto do metabolismo durante o exercício é dissipado da pele por convecção, radiação e evaporação. Em ambientes quentes, a dissipação do calor por convecção, radiação é mínima e a sobrecarga de calor produzida pelo exercício é dissipada pela evaporação. Em ambientes quentes e úmidos, a dissipação do calor pela evaporação é mínima, podendo ocorrer uma hipertermia progressiva.
    - A desidratação progressiva resulta em uma diminuição também progressiva da eficiência das glândulas sudoríferas ao aumento da temperatura corporal, então o organismo passa a trabalhar com uma temperatura interna mais elevada durante o exercício. Consequentemente temos uma redução na margem de segurança entre o limite operacional e o limite da temperatura interna.

    Introdução

    A fadiga, em termos simples pode ser definida como a incapacidade do organismo em manter a produção de energia, ou a deficiência do organismo na manutenção de uma determinada tensão muscular por um determinado tempo (1). A fadiga que se desenvolve durante a contração muscular voluntária máxima tem uma causa diferente daquela que ocorre quando as contrações são moderadas e repetitivas, mas ambas são diferentes daquela que ocorre durante a prática de exercícios em ambientes quentes. Finalmente, todas as formas de fadiga são conseqüências da incapacidade do organismo em produzir energia em quantidade suficiente para suprir as necessidades de concentração dos músculos esqueléticos. Apresentaremos as vias de instalações da fadiga precoce que ocorre em ambientes quentes e que limita o desempenho físico.
    Para melhor entender o modo pelo qual a fadiga prejudica o desempenho físico, nós precisamos entender que a capacidade aeróbia máxima é dependente de diversos fatores e que alguns variam durante a prática de exercícios, principalmente em ambientes quentes. O rearranjo da equação de Fick nos mostra que a capacidade aeróbia máxima pode se modificar se qualquer de seus componentes se alterem:

    VO2max = [FC máx] [DC max] [ (a-v) O2 máx]

    Onde:

    VO2max = capacidade aeróbia max (ml O2/min.)

    FC max = máximo em batimentos cardíacos (batimentos/min)

    DC= débito cardíaco máximo (ml de sangue / batimento)

    (a-v) O2 max = utilização máxima de )2 (ml )2/ml sangue)

    Qualquer diminuição na FC max DC max ou na (a-v) O2 max durante exercícios físicos prolongados, por definição, diminuirá o VO2 max e consequentemente o desempenho ficará prejudicado. Por exemplo, um aumento agudo no volume de sangue periférico residual, abaixo dos níveis cardíacos (acúmulo venoso) decresce a pressão cardíaca máxima, DC max e potencialmente o VO2 max. A elevação excessiva da temperatura corporal durante o exercício pode ocasionar um acúmulo venoso, um menor DC máx, e talvez promova uma diminuição na utilização máxima de O2 [ (a-v) ], promovendo a instalação precoce da fadiga. As maneiras como essas modificações ocorrem estão descritas nos parágrafos seguintes.

    Transferência de calor no corpo

    Durante o exercício, a captação de oxigênio pelo músculo esquelético pode aumentar de cerca de 1.5ml/Kg-min no estado de repouso, até cerca de 150ml/Kg-min, durante atividade física em condições máximas.

    Finalmente, toda a energia liberada pelos músculos durante a atividade física é energia térmica (calor). Uma pessoa em repouso, libera uma quantidade de calor correspondente a cerca de 70 watts (70w=1Kcal/min.) Uma sobrecarga térmica dessa magnitude pode elevar a temperatura do organismo em 1 ºC a cada 5 a 8 min. se não ocorrerem modificações nos mecanismos de dissipação do calor. Pode ocorrer uma limitação dos exercícios em menos de 20 min. Antes do aparecimento dos sintomas da fadiga, devido a hipertermia. Estes sintomas variam desde uma ligeira tontura e desorientação até a perda da consciência. Obviamente, a atividade física intensa pode continuar por muito mais de 20 min., devido principalmente a efetividade do sistema regulador que age alterando a velocidade de transporte do calor, como resposta a estímulos específicos.

    Ao se praticar o exercício, a velocidade de produção de calor pelo músculo aumenta em função da intensidade do exercício, que transitoriamente é maior que a velocidade de dissipação do músculo. Saltin et al. (9) demonstraram que a velocidade do aumento da temperatura no músculo quadríceps é de aproximadamente 1ºC/min. durante os momentos iniciais da prática de exercícios de alta intensidade em ciclo ergômetro. O aumento do armazenamento de calor não pode continuar por que o metabolismo muscular pode ser inativado após 10 min. devido à hipertermia.

    O primeiro meio utilizado para remover o calor dos músculos durante o exercício é a sua transferência para o sangue pela via convectiva. A velocidade de transferência do calor é proporcional ao produto do fluxo sangüíneo local e a diferença de temperatura entre o músculo e o sangue arterial com uma temperatura igual a do organismo. Desta maneira, grande parte do calor produzido pelos músculos esqueléticos trabalhados é transferido para o organismo pela circulação venosa. Quando isso ocorre, a temperatura interna começa a se elevar, desencadeando reflexos que promovem um aumento da transferência do calor interno para a pele e desta para o meio ambiente. Os reflexos para a dissipação do calor servem para diminuir e eventualmente cessar o aumento da temperatura do organismo.

    A velocidade da transferência do calor interno para a pele é determinada pela diferença entre a temperatura interna e a da pele e o fluxo sangüíneo periférico. O fluxo sangüíneo periférico é controlado fisiologicamente. Durante o exercício no calor, o fluxo sangüíneo periférico é cerca de vinte vezes maior do que aquele encontrado durante o repouso em ambientes frios, quando a pele apresenta sua vasoconstrição máxima. Uma vez que a transferência de calor é o produto do fluxo sangüíneo periférico e da diferença de temperatura do meio interno da pele, um aumento no fluxo sangüíneo pode não suficiente para remover o calor interno durante a prática de exercícios em dias quentes e úmidos, quando a temperatura da pele se eleva devido a evaporação insuficiente do suor.

    Transferência de calor no corpo

    Como já foi mencionado anteriormente, o calor é transferido da pele para o meio ambiente por convecção, radiação e evaporação. A velocidade de transferência do calor da pele para o meio ambiente por convecção e radiação são funções dos coeficientes (he e hr, respectivamente) e da diferença de temperatura entre a pele e o meio ambiente. A transferência de calor por radiação ou convecção estão sob controle fisiológico somente quando as mudanças do fluxo sangüíneo para a pele modificam a temperatura média da pele. Tanto o hr como o hc são dependentes da área da superfície do corpo que está disponível para as trocas de calor com o meio ambiente. Em condições metabólicas e ambientais constantes, o valor de hr é constante, porém o valor de hc varia com a velocidade do ar (6). O coeficiente combinado (velocidade de transferência de calor por convecção) pode variar em até cinco vezes quando se está em repouso ou correndo em um dia muito quente, quando a diferença de temperatura entre a pele e o meio ambiente é pequena, a capacidade de transferência de calor da pele para o meio ambiente por tradição ou convecção é muito pequena e tem uma capacidade limitada na dissipar a sobrecarga de calor produzida pelo exercício.

    O principal meio utilizado para a dissipação da sobrecarga de calor produzido pelo exercício executado em ambientes quentes é a evaporação do suor. A velocidade de evaporação está na dependência do coeficiente de transferência de calor pela evaporação (he) e do gradiente de pressão do vapor de água entre a pele e o meio ambiente. O valor de he é dependente da velocidade do ar de uma maneira semelhante a aquela encontrada para hc (onde he = 2.2 hc). A pressão do vapor de água sobre a pele representa o principal estímulo para a produção do suor, sendo que esta produção é controlada fisiologicamente. Cada grama de água que se evapora da superfície do corpo remove cerca 0.6 Kcal. Uma vez que as glândulas sudoríferas de uma pessoa normal tem condições de libertar para a superfície epitelial a suor a uma velocidade de 30g/min., praticamente todo o calor produzido, durante um exercício intenso, pode ser dissipado pela evaporação em condições favoráveis.

    A eficiência da via evaporativa para a transferência do calor está na dependência de fatores fisiológicos e ambientais. Se a umidade relativa do ar é alta, a pressão do vapor de água do meio ambiente será pequena e consequentemente a velocidade da evaporação será baixa. Em um dia quente e úmido, a perda de calor por radiação e por convecção é pequena devido a uma menor diferença de temperatura entre a pele e o meio ambiente, e uma menor dissipação do calor por evaporação ocorre. Nestas condições, a série de exercícios (que aumenta a produção de calor metabólico), associado à baixa dissipação do calor, tende a aumentar o calor armazenado no organismo, e progressivamente a hipertermia se instala.

    Com o conhecimento dos coeficientes de transferência de calor e de suas variações em diferentes condições torna-se possível ou pelo menos antecipar, a magnitude das mudanças na temperatura interna, durante o exercício em diferentes intensidade e em diferentes condições ambientais. Este conhecimento é importante para o atleta, porque a impossibilidade de manter a temperatura do corpo em um nível ótimo durante o exercício reduz o desempenho e apresenta como resultado final a instalação de uma fadiga precoce.

    É importante salientar que a elevação da temperatura interna associada ao exercício não é regulável em níveis elevados, é conseqüência de um desequilíbrio temporário entre a velocidade de produção de calor e do mecanismo que responde pela dissipação, quando a temperatura interna se eleva. O treinamento físico induz um aumento na sensibilidade da relação velocidade de sudorese/temperatura interna, bem como um decréscimo do limiar da temperatura interna para a produção do suor (5). Desta maneira a temperatura interna permanece em níveis inferiores ao observado em pessoas sem treinamento. Consequentemente temos uma maior margem de segurança entre a temperatura operacional e a limitante e também diminui a demanda na circulação periférica durante o exercício. Entretanto, a desidratação progressiva durante a prática do exercício no calor reduz a sensibilidade da relação velocidade de sudorese/temperatura interna e consequentemente uma hipertermia relativa se instala. Este fato reduz a margem de segurança e conduz a uma fadiga precoce.

    Problemas associados a ambientes quentes

    A capacidade de liberar um fluxo sangüíneo adequado para a contratação muscular e para a pele em condições nas quais esses tecidos necessitam requererem um elevado fluxo e está na dependência da capacidade do organismo em manter um volume sangüíneo adequado. Durante a prática de exercícios em um meio ambiente frio, o coração praticamente não tem dificuldades em fornecer um volume adequado de sangue para a demanda tanto dos músculos como da pele (3), (8). Entretanto, o exercício prolongado no calor é um problema muito complexo. Este processo não está ligado somente à manutenção de um débito cardíaco ameaçado pelo volume de sangue enviado para a periferia, mas nas perdas contínuas de água, devido a evaporação do suor, que pode comprometer o retorno venoso. Nestas condições a pressão sangüínea arterial pode diminuir, porém um aumento na freqüência cardíaca pode compensar parcialmente a diminuição a níveis submáximos do débito cardíaco. Portanto, a diminuição do débito cardíaco máximo trará como conseqüências uma redução no VO2 max e no desempenho. O primeiro reflexo contra a queda da pressão sangüínea venosa central aparece na distribuição do fluxo de sangue para a periferia (2), (10), diminuindo o volume venoso periférico.
    A primeira conseqüência da restrição relativa do fluxo sangüíneo para a pele durante o exercício prolongado em ambientes quentes é que a velocidade ótima de transferência do calor não corre. Voluntários exercitando-se em um ambiente quente, acumularam calor a uma velocidade de 0.1ºC/min (3). Esta velocidade de acúmulo de calor, se continuar por um período longo, limitará a capacidade de se exercitar devido à hipertemia.
    O efeito mais sério da prática de exercícios em ambientes quentes ocorre devido a uma hipovolemia progressiva (um volume sangüíneo abaixo do normal), acompanhado de uma desidratação. Na verdade, o volume sangüíneo é mantido razoavelmente bem durante a desidratação porque a hipertonicidade que se instala, quando a água deixa o compartimento vascular, promove a saída de água do compartimento interstícial e intracelular para o sistema intravascular (7). De maneira nenhuma a hipovolemia eventualmente induz a uma a alteração na temperatura interna pela vasodilatação cut6anea e na redução do fluxo sangüíneo periférico máximo. Esta hipertemia combinada com uma diminuição do débito cardíaco máximo e redução do VO2 Max compromete a capacidade de se exercitar por um período prolongado em alta intensidade.

    Conclusões

    O meio ambiente limita de diversas maneiras a capacidade de desempenhar um exercício físico. O potencial da hipertermia em prejudicar o desempenho é geralmente mediado pela capacidade do organismo em transportar o oxigênio do meio ambiente para os músculos esqueléticos em contração. O aquecimento excessivo do organismo durante o exercício reduz a eficiência do sistema circulatório, limitando a capacidade do coração em liberar sangue oxigenado na velocidade necessária para a pele e para os músculos.

    Autores: Ethan R. Nadel

    Artigo do site: http://www.gssi.com.br

  • Artigos 01.04.2010 No Comments
    Pesquisa aponta que 66% da população do país não pratica nenhum tipo de atividade física.
    Uma pesquisa realizada em todo o Brasil pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), detectou um problema grave na saúde da sociedade brasileira. Mais de 190 mil pessoas foram entrevistadas e 66% delas disse ser totalmente sedentária, enquanto 70,9% afirmou não praticar exercício algum nos últimos três meses.

    Fonte: Por Maurício Belfante
    O2porminuto

    O maior problemas está entre os indivíduos que apresentam alguma doença. A cada dez pessoas entrevistadas, três se encontram com problemas crônicos (hipertensão, diabetes e depressão) e poucas utilizam da principal arma para sua prevenção: o exercício físico.

    O Ministro da Saúde José Gomes Temporão diz que a televisão é uma das culpadas pelo sedentarismo, já que as pessoas preferem ficar na frente da telinha à praticar algum esporte. “Temos vários programas em andamento. O ministério tem repassado verbas aos municípios para a construção de espaços para a realização de atividades físicas”, afirmou Temporão.

  • Artigos 01.04.2010 No Comments
    Especialistas dão dicas de como prevenir e tratar uma das lesões mais comuns entre os corredores

    Quem pratica um esporte de impacto como a corrida sabe que está sujeito a sofrer, em algum momento da sua vida de atleta, algum tipo de lesão. E uma das contusões mais comuns entre os corredores é a fratura por estresse, que corresponde de 5% a 16% de todas as lesões dos praticantes da atividade, segundo informações do site oficial da Federação Paulista de Atletismo.

    A fratura por estresse pode ser denominada como: “fissuras microscópicas dos ossos, causadas por uma quantidade de impacto excessivo”, fala Marcos M. Serra, fisioterapeuta e professor de educação física especialista em fisiologia do exercício e fisioterapia esportiva.

    Sua ocorrência se dá, normalmente, quando o corredor exagera, e acaba ultrapassando seus limites durante as passadas. “O osso, apesar de ser muito duro, é uma peça biológica viva, que se desgasta durante as atividades diárias e se recupera durante o repouso. Cada ser vivo tem seu próprio ponto de equilíbrio entre os desgastes que sofre e a capacidade que seu organismo tem de se regenerar”, explica Sérgio Nicoletti, ortopedista da Unifesp.

    “Quando esse limite é ultrapassado, os mecanismos de reparação não conseguem repor as perdas causadas pelo uso e, em decorrência deste déficit entre uso e reparação, algumas partes do osso podem entrar em fadiga e aparecer a fratura por fadiga de material ou fratura por estresse”, completa.

    Alguns ossos, sobretudo dos membros inferiores, são os mais atingidos pelo mal, como fala Serra. “Um estudo revela que entre os atletas, as fraturas por estresse respondem por 0,7 à 15,6% de todas as lesões, sendo 10% um valor aceitável. Este mesmo estudo revela que os ossos mais acometidos nos corredores são a tíbia (37,5 a 63 %), os metatarsais (14 a 37,4%), a fíbula(osso lateral da perna com 9,2 a 21%), o fêmur (3,5 a 6,5%) e o navicular (osso no pé 0,7 a 5,9%)”.

    Ainda falando em estatísticas, as mulheres têm mais fraturas por estresse do que os homens. “Muitos ortopedistas atribuem este fato a uma condição conhecida como `a tríade da atleta feminina´”, diz o fisioterapeuta. Esses três fatores que aumentam as chances das mulheres de terem a fratura são:

    - Desordem alimentar (bulimia ou anorexia);
    - Amenorréia (sem menstruação);
    - Osteoporose. Quando a massa óssea da mulher diminui

    Descobrindo o problema
    Em uma primeira fase, para que haja a detecção da fratura por estresse, o médico fará uma espécie de entrevista com o corredor, para saber a origem da dor, que é a primeira etapa da lesão. O especialista deverá saber o regime de treinamento do atleta, como são feitos, local de treino, calçados e outros fatores de risco para o surgimento da contusão.

    “Nesta fase as radiografias podem ser negativas. Posteriormente, elas mostram a presença de traço de fratura incompleta, que pode passar despercebido se o médico não conhecer a história e não souber que se trata de um atleta”, diz Nicoletti, realçando a importância da visita ao médico logo que surge a dor.

    Para prevenir, o ideal é que o corredor não busque uma evolução no esporte de forma exagerada e sem a supervisão de um especialista, e sim um desenvolvimento gradativo. Outros fatores que ajudam na prevenção, segundo Serra, são:

    • Melhorar a função muscular, aprimorando a força e a flexibilidade;
    • Prestar a atenção nos aspectos nutricionais. Exemplo cálcio;
    • Prestar atenção na escolha do calçado utilizado para correr, bem como o tipo de piso;
    • Prestar atenção nos sinais e sintomas que o corpo mostra, como edema, dor e hipersensibilidade focal.

    Tratamento e retorno ao treinamento
    O tratamento para a fratura por estresse pode se dar de duas formas: cirúrgica ou não cirúrgica. “O tratamento não-cirúrgico é conservador, com repouso relativo, isto é, afastado de toda e qualquer atividade de impacto, podendo o atleta realizar atividades na água e exercícios de fortalecimento e alongamento para manter sua condição muscular e cárdio-respiratória”, diz Marcos Serra.

    Neste caso, é importante que o atleta fique longe da atividade que lhe causou a fratura durantes seis a oito semanas, para que ocorra a cura total da lesão. “Se a atividade que causou a fratura por estresse é retomada muito rapidamente, podem se desenvolver fraturas maiores, e mais difíceis de curar”, revela o fisioterapeuta.

    A cirurgia ocorre nos casos mais severos, para que haja uma readaptação adequada. “O procedimento pode envolver fixação do local da fratura, e a reabilitação faz-se numa média de quatro a seis meses”, completa Serra.

    Após totalmente curado, o corredor poderá voltar a praticar o esporte tranquilamente. Porém, é importante que essa volta seja feita de forma leve, com carga e velocidade menores. “A única restrição ( que não é exatamente uma restrição imposta pelo médico mas pelo próprio limite biológico do atleta ou da atleta) é não ultrapassar o seu próprio limite de tolerância biológica ao treinamento, recomendação que, muitas vezes, implica em mudar o programa de treinamento”, finaliza Nicoletti.

    Fonte: Por Fausto Fagioli Fonseca
    O2porminuto

    O

  • Artigos 22.02.2010 No Comments
    Durante os períodos pré e menstrual, a performance da mulher fica reduzida. Mas as cólicas e a irritação não são motivos para não correr.
    Dor de cabeça, inchaço, cólicas uterinas e manifestações psicológicas –sobretudo, maior irritação. São esses os quatro sintomas básicos da menstruação –e da temida TPM (síndrome da tensão pré-menstrual). No ciclo, uma coisa anda ao lado da outra, é quase impossível separá-las. Mas nem mesmo as restrições que o próprio corpo impõe à mulher devem servir de motivo para afastá-la da prática esportiva. Ao contrário, a corrida ajuda a aliviar alguns sintomas.
    “A mulher precisa ter a consciência de que menstruação não é doença. E que, levando em conta alguns cuidados, é possível praticar exercício, sim”, comenta Eduardo Crosara, fisiologista e médico do esporte pela Universidade Federal de Uberlândia.
    Além disso, há o desconforto da dor de cabeça e do edema, nome médico para o inchaço. No período pré-menstrual, a produção de hormônios que retêm líquido, especialmente o cortisol, pode aumentar o peso corporal em até 2 kg. “A mulher vai perceber principalmente nas roupas, mais apertadinhas. Esse inchaço causa desconforto, uma sensação tão grande de peso, que ela pode desistir de sair de casa para correr”, explica o professor-adjunto de ginecologia e obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG e mestre em saúde pública pela Universidade de Harvard Antonio Aleixo Neto.
    Não é porque o corpo parece travar que a mulher deve parar a atividade. “Corra, mesmo que seja desconfortável. Vai liberar endorfina e ajudar a amenizar os sintomas. Ao começar será ruim, mas depois a sensação melhora muito”, comenta Maria do Carmo Borges de Souza, responsável pelo setor de reprodução humana do Instituto de Ginecologia da UFRJ.
     
    Corrida e conforto
    Ginecologistas e fisiologistas afirmam que não há nenhum impedimento de a mulher correr menstruada, mas, para evitar a preocupação com vazamentos, eles dão a dica de usar um absorvente interno e ainda um absorvente externo. Assim o risco de sujar a roupa é mínimo.
    Quanto à roupa, algumas corredoras preferem usar o short mais apertado para sentir que o absorvente está mais seguro. Tanto os mais colados, quanto os mais larguinhos, podem ser usados tranquilamente.
    Fonte:  O2porminuto
  • Artigos 29.07.2009 37 Comments

    Cinema no horário de almoço, passeio de balão, mesa de pingue-pongue. Para algumas empresas, aliar diversão com a produtividade é essencial para manter a motivação dos funcionários em alta. E a crise econômica internacional não diminuiu os planos das companhias na área de recursos humanos e as que optaram em manter os programas conseguiram sentir menos os efeitos da turbulência mundial.

    Uma pesquisa da Mercer Consultoria com 200 empresas mostra que o custo com benefícios (de plano de saúde a ações de divertimento) subiu de 18% do gasto com a folha de pagamento mensal entre os anos de 2007 e 2008 para 22% de 2008 para 2009, o que aponta um maior investimento nessa área mesmo com a crise. “Essas ações vão além da política de investimentos. São estratégias de negócios”, afirma Alexandre Espinosa, consultor da Mercer.

    Para as empresas, os custos com programas inusitados para motivação não são mais vistos como gasto e, sim, como investimento. E há retorno. “Por meio de pesquisa de clima percebemos que há uma maior satisfação e comprometimento dos funcionários. Isso pode ser relacionado com a melhoria de produção”, explica a consultora de Recursos Humanos do Grupo Soma, Jane Souza.

    César Souza, da Empreenda Consultoria, enxerga, também, uma mudança de tendência. Em vez de promover eventos só com diversão e relaxamento, as organizações incluem conteúdo. “Há uma busca muito clara por programas que dão resultados. Técnicas de relaxamento e divertimento sem conteúdo estão caindo por terra”, acredita.

    A Visa Vale, empresa de emissão e administração de cartões de benefício, tem diversos programas para relaxar e incentivar seus funcionários a trabalharem com mais empenho. As ações vão desde um cinema na hora do almoço a até show de música no próprio escritório. “A pesquisa de clima anual mostrou um crescimento de 50% para 80% de aprovação de 2005 a 2008. Com isso, conseguimos obter um crescimento de 29% ao ano e ainda temos 94% dos nossos clientes satisfeitos. Uma coisa não poderia acontecer sem a outra”, comenta Roberto Pina, diretor financeiro.

    Os programas de motivação serviram para manter os níveis produtivos mesmo em período de crise, pois ajudou a diminuir o clima de tensão no ambiente de trabalho. “Quem manteve os planos para essa área sai na frente no momento que a crise começa a se dissipar, pois não faltou fôlego para o pessoal durante o período mais difícil”, afirma a consultora de carreira, Isabel Macarenco.

    No caso da Avaya, empresa de soluções em telecomunicação, a crise não mexeu com os programas. “Isso manteve a nossa produtividade, mesmo no momento de maior tensão”, diz Tatiana Tafuti, gerente de Recursos Humanos.

    Ter funcionários seguros foi o objetivo da Dedic, empresa da área de telemarketing, ao implantar iniciativas de relaxamento. Além de uma sala de “descompressão” (espaço para relaxar e descansar), a companhia contratou massagistas para “desestressar” os funcionários. Segundo Wagner da Cruz, diretor de Recursos Humanos da empresa, as iniciativas dão resultado. O nível de absenteísmo (faltas) na empresa é de 4%, enquanto a média do mercado varia de 10% a 11%. “Os custos com as faltas caíram cerca de 50%”, afirma Cruz.

    No Santander Real, programas de qualidade de vida já fazem parte da cultura do banco. Entre eles, estão práticas de esportes, ações de solidariedade, de relaxamento e eventos culturais. Para Maria Cristina Carvalho, superintendente de RH do grupo, medir o retorno das ações no faturamento do banco é o principal desafio. “O que sabemos é que uma pessoa de bem com ela mesma, trabalha melhor, vive melhor em casa e atende melhor o cliente”, diz.

    VISA VALE

    SETOR: empresa emissora e administradora de cartões de benefícios
    Nº DE FUNCIONÁRIOS: 208
    AÇÕES PARA MOTIVAÇÃO: cinema no horário de almoço, sorvete nos dias quentes, show de música no espaço reservado para relaxamento dentro do escritório, happy hour e treinamento para corrida
    RESULTADOS: aumento de 50% para 80% de aprovação dos funcionários, crescimento de 29% ao ano de faturamento e satisfação de 94% dos clientes

    AVAYA

    SETOR: empresa de fornecimento de produtos e serviços
    de comunicação corporativa
    Nº DE FUNCIONÁRIOS: 300
    AÇÕES PARA MOTIVAÇÃO: um espaço de 800 m2 para relaxamento dos funcionários, com mesas de pingue-pongue, sinuca, para jogo de cartas, com campeonatos. Como integração anual foi feita uma corrida de kart. A empresa ainda aluga a quadra de futebol próximo a empresa para promover a prática de esportes
    RESULTADOS: maior disposição e comprometimento dos funcionários e prêmios de empresa inovadora e como
    a melhor da área para se trabalhar

    DEDIC

    SETOR: telemarketing
    N° DE FUNCIONÁIROS: 17.600 no Brasil
    AÇÕES PARA MOTIVAÇÃO: Sala de descompressão, massagem antes, durante e depois do expediente, coral e ginástica laboral. As massagens são realizadas por profissionais especializados (reflexologia
    e shiatsu) com o objetivo de proporcionar relaxamento e podem ser feitas durante o expediente ou quando o funcionário se sentir estressado
    RESULTADOS: Maior produtividade, com um absenteísmo (faltas) de 4%, enquanto a média do mercado é de 10% a 11%.
    Com menos faltas, a empresa teve uma redução nos custos de cerca de 50%.

    DHL

    SETOR: logística
    Nº DE FUNCIONÁRIOS: 900
    AÇÕES PARA MOTIVAÇÃO: convênios com academias de ginástica, agências de viagem, cinemas e teatros para descontos aos funcionários. Massagem para todos, com horários especiais para os que trabalham
    no setor de atendimento ao cliente, e atendimento de nutricionista. Campeonatos de futebol interno. Palestras para ajudar no bem-estar e saúde dos empregados.
    RESULTADOS: 70% de aprovação dos funcionários e maior comprometimento com as tarefas diárias e empresa

    TECAD

    SETOR: imobiliário
    N° DE FUNCIONÁRIOS: 50
    AÇÕES PARA MOTIVAÇÃO: Há três anos realiza duas viagens por ano de confraternização dos funcionários com os familiares. A empresa custeia transporte, estadia e alimentação. A viagem não é obrigatória,
    mas a maioria participa. O benefício é estendido aos profissionais autônomos, como os corretores e os motoqueiros
    RESULTADOS: Melhora na produtividade, rotatividade pequena, ou seja, as pessoas trocam menos de emprego; incidência pequena de faltas e de doenças

    DIGITALE

    SETOR: agência de publicidade digital
    Nº DE FUNCIONÁRIOS: 10
    AÇÕES PARA MOTIVAÇÃO: videogame e DVD podem ser usados em qualquer horário no espaço de descanso. Empresa ainda tem um programa no qual os funcionários indicam um colega como empregado do mês
    e o vencedor ganha prêmios, como ingressos para cinema, final de semana em hotel e até viagem de balão
    RESULTADOS: A equipe fica mais relaxada para cumprir as metas e a empresa consegue reter os talentos

    HOSPITAL OSWALDO CRUZ

    SETOR: saúde
    Nº DE FUNCIONÁRIOS: 1.559
    AÇÕES PARA MOTIVAÇÃO: espaço de 700 m2 com academia, salão de beleza, cybercafé e sala de vídeo e descanso para os funcionários, com preços subsidiados. Também há um centro médico separado para a saúde do empregado, com programas antitabagismo e contra a obesidade
    RESULTADOS: 98% de aprovação dos pacientes/clientes

    SANTANDER REAL

    SETOR: financeiro
    N° DE FUNCIONÁRIOS: 53 mil

    AÇÕES PARA MOTIVAÇÃO: Semana Santander com atividades esportivas e de ação social; ingressos para museus, shows, cinemas, corrida de Fórmula 1 e outros espetáculos que o banco patrocina. Participação de funcionários em maratonas de rua, aulas de ioga, meditação durante o expediente, torneios esportivos e coral. A instituição ainda paga 50% da academia de ginástica do funcionário para estimular a qualidade de vida.

    RESULTADOS: Níveis de satisfação altíssimos com filas de espera de funcionários querendo participar das atividades. Melhor produtividade e satisfação do funcionário levou a uma melhora no atendimento ao clientes.

    Artigo do site: http://www.jt.com.br

    Por Luciele Velluto e Priscila Dadona (26.07.2009)

  • Artigos 16.07.2009 3 Comments

    PONTOS PRINCIPAIS

    A recuperação de treinos diários ou competições intensas é melhor quando os atletas consomem uma dieta rica em carboidratos. O efeito mais importante dessa dieta é maximizar os estoques de glicogênio nos músculos. Aproximadamente 10 g de carboidratos por kg de peso corporal deve ser suficiente para repor os estoques de glicogênio após uma sessão de treinos pesados.

    O glicogênio muscular pode ser reposto no prazo de 24 h quando se ingere uma quantidade suficiente de carboidratos provenientes da dieta.

    Os carboidratos devem ser consumidos imediatamente após o exercício e em seguida, em intervalos de 30 minutos, por aproximadamente 5 horas. Essa dieta de “recuperação precoce” deve oferecer o equivalente de 1 – 1,2 g de carboidratos por kg de peso corporal a cada hora.

    A restauração dos estoques de glicogênio muscular pode demorar mais quando o exercício causa lesão e dores musculares.

    A reidratação após o exercício é maximizado quando os atletas ingerem uma quantidade de líquidos (uma bebida esportiva com eletrólitos suficientes é melhor que água) equivalente a 150% da perda do peso corporal.

    INTRODUÇÃO

    Para maximizar o treino, atletas costumam ter que se recuperar rapidamente de períodos de treino a fim de participar da sessão seguinte, principalmente se isso acontecer no mesmo dia. Além disso, em algumas situações, como torneios de luta, de futebol e de atletismo, os atletas podem ter que competir todos os dias (e com freqüência até mais que uma vez por dia) por diversos dias, fazendo com que a otimização da recuperação seja essencial para manter o desempenho. Isso também é importante para os “atletas” de finais de semana e para aqueles que participam de esportes e exercícios não-competitivos porque estimula a prática contínua. Isso é particularmente importante nos programas gerais de fitness nos quais os participantes precisam de uma boa dose de incentivo para praticar exercícios regularmente, como parte do estilo de vida.

    As estratégias para otimizar a recuperação pós-exercício dependem especificamente do esporte específico ou tipo de exercício, sua intensidade e duração e do intervalo entre as sessões de treino ou competições. A recuperação bem-sucedida envolve muitos processos fisiológicos e metabólicos que atuam em sincronia para preparar o atleta para a próxima sessão de exercício. Entretanto, os requisitos essenciais para a recuperação bem-sucedida a curto prazo são (1) ressíntese dos estoques de carboidratos do organismo, (2) reidratação e (3) descanso. Para a recuperação a longo prazo, ou seja, dias ou semanas, também é importante maximizar a síntese muscular de proteínas , uma consideração importante, mas não totalmente estudada neste artigo.

    Para a maioria dos atletas, a recuperação com êxito significa a restauração da capacidade do desempenho e do desejo de continuar treinando, preparando-lhes para a competição. Portanto, esta breve revisão vai enfatizar apenas os estudos que avaliaram a influência da nutrição em períodos de recuperação a curto (4-5 horas) e médio (24 horas) prazo após exercícios de ritmo constante, tais como corrida e protocolos que mimetizam as demandas físicas de esportes tais como o futebol e o basquetebol.

    REVISÃO DAS PESQUISAS

    O Papel Crítico do Glicogênio Muscular no Metabolismo Durante Exercícios Intensos

    Durante o ciclismo ou corrida de ritmo constante em intensidade moderada, ex., aproximadamente 70% do VO2 máximo, os carboidratos e as gorduras são os principais combustíveis para a produção de energia. A contribuição de carboidratos provem principalmente dos estoques de glicogênio no músculo esquelético e a da gordura, da oxidação de ácidos graxos provenientes de células do tecido adiposo, assim como de triglicerídios intramusculares. O glicogênio muscular é o principal responsável pelo metabolismo durante exercícios de alta intensidade que duram mais que aproximadamente 30 segundos, com contribuição, em menor escala, da glicose e ácidos graxos presentes no sangue. Conforme aumenta a duração do exercício, há uma queda progressiva dos estoques de glicogênio muscular e a contribuição da oxidação de ácidos graxos aumenta na tentativa de garantir a produção rápida e contínua de ATP. Entretanto, essa “up-regulation” do metabolismo de gorduras costuma ser inadequado para atender aos requisitos aumentados da produção de ATP para exercícios intensos. A contribuição da glicemia para o metabolismo muscular aumenta, mas também é inadequada para sustentar o exercício de alta intensidade, mesmo quando a glicemia é mantida elevada durante todo o exercício por meio da infusão de glicose (Claassen e col., 2005). Como conseqüência da queda da taxa de produção de ATP, o atleta não mais consegue sustentar a demanda da intensidade dos exercícios e chega a fadiga (Hargreaves, 2005).

    Maximizando a Recuperação do Glicogênio Muscular: Ingerindo Carboidratos na Fase Inicial da Recuperação

    O processo de ressíntese de glicogênio começa imediatamente após o exercício e é mais rápido nas primeiras 5-6 horas de recuperação (Goforth e col., 2003; Piehl, 1974), portanto não é de se surpreender que a ingestão de carboidratos imediatamente após o exercício acelera esse processo. Como revisado por Ivy (1991), os primeiros estudos sobre a ressíntese de glicogênio pós-exercício sugerem que a melhor quantidade possível de carboidratos é de aproximadamente 1 a 1,5 g de carboidratos/kg de peso corporal, consumidos imediatamente após o exercício e em intervalos a cada 2 horas até a refeição seguinte. Altas taxas de ressíntese de glicogênio muscular também podem ser conseguidas quando o carboidrato é consumido mais freqüentemente, por exemplo, 1,2 g/kg/h a cada 30 minutos durante um período de recuperação de 5 horas (Van Loon e col., 2000b).

    Maximizando a Recuperação do Glicogênio Muscular: A Carga de Carboidratos nos Dias pós Exercícios Exaustivos

    Está bem claro que uma dieta rica em carboidratos após o exercício intenso prolongado, i.e., a carga de carboidratos (carbohydrate loading) eleva as concentrações de glicogênio muscular para níveis acima do normal (Bergstrom e col., 1967). Sherman e col. (1981) introduziram um método de atingir a “supercompensação” das concentrações normais de glicogênio muscular que era mais aceitável aos atletas que os níveis recomendados por Bergstrom e col. (1967) (Sherman e col., 1981). Os indivíduos que participaram do estudo de Sherman diminuíram a intensidade e volume do treino durante a semana antes da competição e também aumentaram o teor de carboidratos da dieta para 9-10 g/kg/dia nos 3-4 dias que antecediam o evento. Esse foi um estudo importante, não apenas porque demonstrou a eficácia de uma abordagem mais aceitável para se promover a carga de carboidratos, mas também porque foi um dos primeiros a mostrar que a carga de carboidratos poderia produzir altas concentrações de glicogênio muscular após a corrida.

    Os atletas têm disposição para continuar treinando mesmo enquanto estão fazendo a carga de carboidratos mas temem que o treino pode retardar a reposição dos estoques de glicogênio muscular. Realmente, parece haver um retardo na ressíntese de glicogênio na primeira hora de recuperação enquanto praticam exercícios, mesmo que de baixa-intensidade (40-50% de VO2max) comparado a recuperação passiva (Choi e col., 1994), mas pesquisas mais recentes sugerem que sessões diárias de 20 minutos de exercícios leves (~ 65% de VO2max) não limitam o processo de supercompensação (Goforth e col., 2003). Além disso, as altas concentrações de glicogênio muscular dadas pela carga de carboidratos permanecem altas por 3-4 dias, mesmo quando a quantidade de carboidratos consumida passa de 80% para 60% da ingestão energética diária.

    A maioria dos estudos sobre a recuperação das concentrações de glicogênio após o exercício usou homens como amostra. Os primeiros estudos sobre a carga de carboidratos em mulheres sugerem que elas não conseguiram aumentar a concentração de glicogênio nos músculos (Tarnopolsky e col., 1990), ou pelo menos, não da mesma maneira que os homens (Walker e col., 2000). Entretanto, as pesquisas subseqüentes demonstraram que quando a ingestão de carboidratos em homens e mulheres foi cuidadosamente pareada, havia um aumento dos estoques de glicogênio em valores acima do normal para ambos os sexos (James e col., 2001).

    Maximização da Recuperação para Acentuar o Desempenho do Exercício Subseqüente

    Nos estudos de desempenho do exercício, os pesquisadores costumam pedir que os indivíduos completem uma quantidade fixa de trabalho o mais rápido possível (ex. provas de tempo) ou exercícios que sejam feitos pelo maior período de tempo possível em ritmo ou potência fixas (i.e. provas de endurance ou provas de ritmo constante). Provavelmente, as provas de tempo representam os tipos de desempenho de atletas individuais em eventos de corrida e ciclismo com mais exatidão, mas provas de endurance podem ser modelos mais apropriados para o estudo da capacidade de os atletas resistirem aos exercícios de alta intensidade em esportes tais como futebol e hóquei de campo.

    Suplementação de Carboidratos durante 24 horas de Recuperação: Exercícios de Ritmo Constante

    O consumo da dieta rica em carboidratos durante as primeiras 24 horas após o exercício intenso recupera as concentrações de glicogênio muscular para níveis normais (Goforth e col., 2003; Keizer e col., 1987). De maneira interessante, Keizer e col. observaram que quando se permitia que os participantes comessem o que quisessem, eles não conseguiam repor as concentrações de glicogênio muscular após 22h (Keizer e col., 1987). Portanto, para maximizar a recuperação do glicogênio, é essencial prescrever e monitorar cuidadosamente a quantidade de carboidratos que os atletas consomem durante o período de recuperação.

    A pergunta que os atletas se fazem é se a adoção da prática da carga de carboidratos resultará na recuperação do desempenho. Infelizmente, há apenas poucos estudos que consideraram o impacto da carga de carboidratos no desempenho nas 24 horas seguintes. Em estudo realizado por Fallowfield e Williams (1993), a recuperação da capacidade de correr em provas de endurance foi bem sucedida 22 horas após o exercício prolongado. Quando os participantes correram em uma esteira a 70% do VO2max por 90 minutos ou até a fadiga (o que ocorresse primeiro) e receberam uma dieta ou de alto teor de carboidratos (9 g/kg) ou uma dieta mista isoenergética que incluía 6 g de carboidratos/kg durante um período de recuperação de 22 horas, apenas aqueles que receberam a dieta rica em carboidratos conseguiram atingir o tempo da corrida de 90 minutos. Os atletas que consumiram a dieta mista conseguiram completar apenas 78% do exercício realizado no dia anterior, apesar de o teor de carboidratos da dieta de recuperação ser igual à ingestão usual desses nutrientes (Fallowfield & Williams, 1993) (Figura 1).

    FIGURA 1. A recuperação da capacidade de corrida em prova de endurance, 22 horas após a primeira corrida, que foi na esteira a 70% do VO2max por 90 minutos ou até a fadiga, o que acontecesse primeiro. O valor energético das dietas com alto teor de carboidratos 9 g/kg/dia) e as dietas de recuperação mista eram iguais.

    O tipo de carboidrato consumido durante a recuperação também pode influenciar a taxa de ressíntese de glicogênio muscular e o desempenho posterior. Burke e col. (1993) relataram que a ressíntese do glicogênio muscular após 24h de recuperação de exercícios prolongados foi maior quando os participantes consumiram uma dieta de recuperação contendo que com a dieta com carboidratos de baixo índice glicêmico. Apesar de não terem avaliado a capacidade de a amostra exercitar-se após o período de recuperação de 24h, é razoável esperar que a capacidade de endurance tenha aumentado com estoques mais altos de glicogênio após a ingestão da dieta com carboidratos de alto índice glicêmico (Burke e col., 1993).

    Diferentemente dos resultados obtidos por Burke e col. (1993), Stevenson e col. (2005a) observaram que o tempo até exaustão correndo na esteira demorava 12 minutos a mais e que a oxidação de gordura era maior após a dieta de recuperação com carboidratos de baixo índice glicêmico que com a de alto índice glicêmico (Stevenson e col., 2005). A maior taxa de oxidação de gordura durante a corrida até a exaustão após a dieta de recuperação contendo carboidratos de baixo índice glicêmico provavelmente compensaram os estoques mais baixos de glicogênio pré-exercício. Também, é interessante observar que os corredores relataram que nunca sentiram fome quando seguiam a dieta contendo carboidratos de baixo índice glicêmico, mesmo após o jejum de 12 horas antes da corrida e correr até a exaustão no dia seguinte. Mas eles sentiam fome quando consumiam a dieta de recuperação com carboidratos de alto índice glicêmico com níveis equivalentes de valor energético e composição de macronutrientes da dieta com carboidratos de baixo índice glicêmico. Portanto, pode ser mais eficaz consumir os nas primeiras horas após o exercício e depois mudar para refeições com carboidratos de baixo índice glicêmico no restante do período. Dessa maneira, os carboidratos de alto índice glicêmico contribuem mais para ressíntese mais rápida e precoce de glicogênio, enquanto os carboidratos baixo índice glicêmico podem continuar a oferecer energia assim como contribuir para a sensação de saciedade. Além disso, uma refeição à noite contendo carboidratos baixo índice glicêmico diminui o pico da glicemia em resposta ao café da manha padrão, com carboidratos de alto índice glicêmico, na manhã seguinte e pode, portanto, intensificar a oxidação de gorduras para os próximos exercícios (Stevenson e col., 2005b). Pesquisas adicionais são necessárias para determinar a mistura de carboidratos que maximiza a restauração do glicogênio e desempenho.

    A suplementação de Carboidratos durante 4 Horas de Recuperação: Exercícios de Ritmo Constante

    Imediatamente após o exercício, o consumo de bebidas contendo carboidratos acelera a ressíntese do glicogênio muscular, mesmo durante um período de recuperação tão curto quanto 4 horas, mas isso muda o desempenho para o próximo exercício? Fallowfield e col. (1995) tentou responder essa pergunta com um grupo de corredores de endurance que primeiro correram em uma esteira a 70% do VO2max por 90 minutos ou até a fadiga (o que ocorresse primeiro). Imediatamente após o exercício e 2 horas depois, beberam ou um placebo ou uma bebida esportiva contendo aproximadamente 1 g de carboidratos/kg de peso corporal. Após um período de recuperação de 4 horas, ambos os grupos correram até a exaustão nas mesmas velocidades anteriores da esteira. O grupo que tomou a bebida esportiva correu 22 minutos a mais que o grupo que recebeu o placebo (Fallowfield e col., 1995).

    FIGURA 2. Tempo até a exaustão a 70% do VO2 máx 4 horas após correr a 70% do VO2 max por 90 minutos ou até a fadiga, o que ocorresse primeiro. Um grupo tomou uma bebida esportiva (6,9% de carboidratos) enquanto o outro grupo bebeu placebo (Fallowfield e col., 1995).

    É interessante observar que a ingestão de quantidades maiores de carboidratos imediatamente após o exercício pode não ser mais benéfica que uma quantidade moderada. Por exemplo, Wong e Williams (2000) ofereceram 50 g de carboidratos na forma de uma bebida eletrolítica contendo 6,5% de carboidratos a um grupo de corredores imediatamente após correrem 90 minutos na esteira (70% do VO2 máx). Depois reidrataram os atletas com água ou com uma bebida contendo carboidratos, em quantidade suficiente para cobrir 150% do peso corporal perdido durante a corrida inicial. Surpreendentemente, não houve diferença nos tempos de corrida até a exaustão quando os corredores consumiram 175 g ou 50 g de carboidratos durante o período de recuperação de 4 horas (Wong & Williams, 2000). Ainda assim, houve um aumento maior na concentração do glicogênio muscular durante as 4 horas de recuperação quando os corredores ingeriram mais carboidratos (Tsintzas e col., 2003). Esses resultados são paradoxais, de certa maneira, porque seria razoável esperar uma resposta melhor na capacidade de exercício após o tratamento que mais aumenta os estoques de glicogênio muscular. Entretanto, a ingestão pós-exercício de uma bebida esportiva bem-formulada não melhora a capacidade de endurance nos exercícios subseqüentes, mas é preciso mais informações para prescrever as quantidades ótimas de bebida para cada atleta. A proteína deve ser acrescentada aos suplementos de carboidratos? A insulina tem influência positiva na ressíntese de glicogênio. Algumas vezes, o acréscimo de proteínas e alguns aminoácidos aos carboidratos promovem um aumento nas concentrações de insulina, tornando-as maiores que as obtidas com a mesma quantidade de carboidratos (van Loon e col., 2000a; Zawadzki e col., 1992). Ivy e col. foram um dos primeiros a relatar que o consumo de uma mistura de carboidratos-proteína imediatamente após o exercício aumentava a taxa de ressíntese do glicogênio muscular além daquela observada apenas com carboidratos ( Ivy e col., 2002; Zawadzki e col., 1992). Em um dos primeiros estudos realizados por Zawadzki e col. (1992), os indivíduos participavam de ciclismo prolongado para depletar o glicogênio muscular e depois ingeriam, em três momentos diferentes, ou 112 g de carboidratos ou 40,7 de proteína ou 112 g de carboidratos mais 40,7 g de proteínas imediatamente após o exercício e 2 horas depois. Observaram que a taxa de ressíntese de glicogênio durante as 4h de recuperação foi 38% mais rápida após a mistura de carboidratos-proteína (Zawadzki e col., 1992). Apesar de a mistura de carboidratos-proteína e carboidratos isolados apresentar o mesmo teor desse nutriente, o valor energético total não era igual, o que pode ter contribuído para as diferenças observadas nas taxas de ressíntese de glicogênio. Em estudo posterior, realizado por Ivy e col. (2003), comparou-se a influência da ingestão de uma mistura de carboidratos-proteína em uma bebida esportiva na capacidade de endurance durante um período de 4h de recuperação de ciclismo prolongado. Observaram um aumento de 55% na capacidade de endurance quando os indivíduos consumiam a mistura de carboidratos-proteína durante o período de recuperação. Entretanto, a quantidade de carboidratos na mistura carboidratos-proteínas era muito maior que a de carboidratos na bebida esportiva; além disso, a mistura de carboidratos-proteína continha mais energia (~330 kcal) e o estudo foi fraco por comparar coisas diferentes (Williams e col., 2003). Nem todos os autores chegaram a conclusão de que a ressíntese de glicogênio após a ingestão de misturas de carboidratos-proteína imediatamente após o exercício é melhor que o consumo de quantias isoenergéticas apenas de carboidratos (Carrithers e col., 2000; Jentjens e col., 2001; van Hall e col., 2000; van Loon e col., 2000b) . Além disso, como descrito abaixo, diversos pesquisadores concluíram que o desempenho de exercícios após o período de recuperação não melhorou mais com as misturas carboidratos-proteína comparado à ingestão isolada de carboidratos, principalmente se as bebidas não apresentarem o mesmo valor energético. Em dois estudos semelhantes, realizados por Betts e col (2005b), os participantes correram em vez de praticar ciclismo para se avaliar as influências de uma mistura de carboidratos-proteína e a mesma quantia de carboidratos no tempo de endurance ao correr a 85% do VO2 max, 4h após uma corrida de 90 minutos na esteira a 70% do VO2 max (Betts e col., 2005b). Uma solução de carboidratos a 9,3% ou a mesma solução suplementada com 1,5% de proteína foi usada para oferecer carboidratos no estudo inicial a uma taxa de 1,2 g/kg de peso/hora nos dois estudos. Os corredores ingeriram as soluções imediatamente após 90 minutos de corrida e depois em intervalos a cada 30 minutos durante o período de recuperação de 4 horas. Apesar de o teor de carboidratos das soluções ingeridas serem equivalentes, a mistura de carboidratos-proteína apresentava 17% a mais de energia. Houve uma grande variação nos tempos de corrida até a fadiga nos dois estudos, mas não houve diferenças gerais na capacidade de endurance (carboidratos: 14,5 minutos x carboidratos-proteína: 18 minutos). Neste estudo inicial, muitos indivíduos apresentaram queixas de desconforto abdominal, provavelmente em conseqüência das grandes quantidades de carboidratos ingeridas durante o período de recuperação. Portanto, um segundo estudo foi realizado usando exatamente o mesmo exercício e protocolos de recuperação com a mesma mistura de carboidratos+proteína, mas nessa ocasião, os corredores ingeriram pequenas quantias de carboidratos (0,8 g/kg/h). Novamente, não houve diferenças significativas nos tempos de corrida até a fadiga (carboidratos: 18 min x carboidratos/proteína: 19,5 min). Em outro estudo, Betts e col (2005a) usaram um desenho semelhante, mas a corrida até a exaustão após a recuperação de 4 horas foi a 70% do VO2 max em vez de 85% para permitir períodos de corrida mais longo e portanto, aumentar as demandas dos estoques de carboidratos dos corredores. Seis corredores completaram as três provas. Em uma delas, ingeriram uma mistura de carboidratos-proteínas (0,8 g de carboidratos/kg/h) mais a proteína isolada do soro do leite a uma taxa de 0,3 g/kg/h); na segunda prova, ingeriram a mesma quantidade de carboidratos que na prova de carboidratos-proteínas (0,8 g/kg/h) e na terceira ingeriram carboidratos para atingir valores equivalentes de energia ao da mistura de carboidratos/proteínas (1,1 g de carboidratos/kg/h). Após 4 h de recuperação, os tempos de corrida até a fadiga foram significativamente maiores nas provas com carboidratos-proteínas e com o mesmo teor de energia que na prova com baixo teor de carboidratos, ou seja, 91 min, 99,9 min e 83,7 min, respectivamente. Entretanto, não houve diferenças significativas entre os tempos de corrida até a fadiga entre as provas contendo carboidratos-proteína e isoenergética apenas de carboidratos (Betts e col., 2005a), e nem na taxa de ressíntese de glicogênio muscular (Betts e col., 2006). Millard-Stafford e col. (2005), que usaram uma prova de tempo de 5-km como teste de desempenho, também não observaram qualquer efeito benéfico na suplementação de bebidas esportivas com proteínas. Em resumo, parece não haver nenhuma vantagem no desempenho ao se ingerir uma mistura de carboidratos-proteina comparada à solução de carboidratos isoenergética durante um período de 4 horas de recuperação após o exercício.

    Parece haver benefícios indiretos da ingestão da mistura de carboidratos-proteina que ainda não foram sistematicamente confirmadas. Por exemplo, alguns autores relataram que a intensidade da dor muscular pós-exercício foi geralmente menor quando uma solução carboidratos-proteína foi usada que quando se usou apenas carboidrato (Millard-Stafford e col., 2005). Ainda não se sabe exatamente como esse efeito ocorre. Obviamente, o consumo de uma mistura de carboidratos-proteína durante a recuperação pode influenciar o equilíbrio protéico pós-exercício contribuindo com o substrato para síntese protéica, o que envolve benefícios a longo, e não a curto prazo, para os atletas (Gibala, 2002).

    Suplementação de carboidratos durante 24 horas de recuperação pós-exercícios do tipo stop and go

    Apesar de haver muitos participantes em esportes que incluem atividades contínuas, tais como uma corrida de longa distância e ciclismo, há um número muito maior de atletas que participam de esportes do tipo stop and go e também de sprints múltiplos, tais como, futebol, , rugby e tênis. O exercício prolongado, intermitente e de alta intensidade que faz parte desses esportes stop and go diminui os estoques de glicogênio muscular e compromete o desempenho, tal como os exercícios de ritmo constante (Balsom e col., 1999). Por exemplo, as concentrações de glicogênio muscular de jogadores profissionais de futebol encontram-se bem reduzidas após 90 minutos de jogo (Jacobs e col.,1982; Saltin, 1973). Esta bem claro que esses atletas que começaram o jogo com concentrações modestas ou baixas de glicogênio muscular não conseguem se envolver totalmente no jogo por causa do início precoce de fadiga (Saltin, 1973).

    Em um estudo sobre nutrição e desempenho especifico ao futebol, Bangsbo e col. (1992) mostraram que quando os jogadores consumiam uma dieta rica em carboidratos por 48h antes de uma série de testes específicos ao futebol, sua capacidade de endurance durante corrida prolongada, intermitente e de alta intensidade na esteira foi significativamente melhor que com uma dieta normal mista.

    Usando a corrida intermitente e de alta-intensidade (shuttle run) como um protocolo de exercício que mimetiza os padrões de atividades que costumam se repetir no futebol, Nicholas e col (1997) examinaram a influência de diferentes estratégias nutricionais na capacidade do exercício durante os últimos 15 minutos de um teste de 90 minutos. Todos os indivíduos completaram 75 min do teste e depois tinham que completar 20 metros de corrida (indo e vindo) alternando sprints e jogging, até atingirem o ponto de fadiga. A capacidade de endurance foi avaliada como o teste shuttle run a partir dos 75 minutos. A recuperação da capacidade da corrida foi atingida após 22 horas quando os indivíduos consumiram a dieta que oferecia 10g/kg/dia de carboidratos (Nicholas e col., 1997). Entretanto, quando consumiram a quantidade normal de carboidratos com acréscimo de proteínas e gorduras para que o valor calórico fosse equivalente ao da dieta de recuperação com carboidratos, eles não conseguiram correr tanto quanto no dia anterior.

    FIGURA 3. Recuperação da capacidade de endurance durante a corrida intermitente, de alta-intensidade, 24 horas após a mesma corrida. As dietas com alto teor de carboidrato (9 g/kg/dia) e mista eram isoenergéticas (Nicholas e col., 1997).

    Suplementação de carboidratos durante 4 horas de recuperação após exercícios do tipo stop and go

    Esportes profissionais de equipes do tipo stop and go, tais como, futebol, rugby, e basquetebol, costumam ter apenas um jogo por dia. Entretanto, em torneios ou campeonatos, os atletas que praticam alguns esportes podem ter que competir mais que uma vez com apenas algumas horas de recuperação entre os jogos. Na ausência de estudos sobre a influência nutricional na recuperação sob estas circunstâncias, parece razoável sugerir que atletas de esportes do tipo stop and go deveriam implementar as mesmas recomendações nutricionais aplicadas aos atletas de endurance. Eles foram aconselhados a ingerir bebidas esportivas bem formuladas imediatamente após o exercício e em intervalos a cada 30 minutos durante o período de recuperação.

    Fatores que Podem Retardar a Recuperação

    A reposição de glicogênio após exercícios intensos prolongados será obviamente mais lenta quando a ingestão de carboidratos for baixa ou restrita durante a recuperação (Fournier e col., 2004). A recuperação do glicogênio muscular também pode ser tardia quando os exercícios prolongados envolvem uma quantidade significativa de ações musculares excêntricas porque esse tipo de atividade causa danos às membranas musculares e promove a instalação tardia da dor muscular (Asp e col., 1998; Costill e col., 1990; O’Reilly e col., 1987). (Ações excêntricas são aquelas nas quais os músculos são alongados enquanto produzem força, ou seja, as ações dos flexores do cotovelo enquanto se abaixa um peso ou dumbbell). Além disso, segundo Asp e col. (1998) as contrações excêntricas realizadas anteriormente durante o exercício com a perna aumentaram ainda mais a queda da concentração do glicogênio muscular que na perna contralateral que realizou movimentos concêntricos. As concentrações mais baixas de glicogênio após o exercício excêntrico foi acompanhado por uma redução acentuada na produção de energia e na capacidade de endurance nos dois exercícios concêntricos seguintes para as pernas.

    Este pior desempenho foi atribuído à redução na concentração e aumento na taxa de uso do glicogênio (Asp e col., 1998).

    Há um componente excêntrico às ações do músculo da perna durante a corrida e isso pode explicar a recuperação mais lenta do glicogênio muscular após uma corrida prolongada, tais como corridas de maratona (Sherman e col., 1983). Há relatos de que a ressíntese do glicogênio muscular dois dias depois da maratona competitiva representava apenas 70% dos valores observados antes da prova, apesar de os corredores ingerirem uma dieta rica em carboidratos (7g/kg). Houve uma reposição dos estoques de glicogênio muscular, atingindo os altos níveis observados antes da prova após sete dias de recuperação (Asp et al 1997). Essa informação pode ser usada no planejamento da estratégia de recuperação porque os atletas que apresentam instalação tardia de dores musculares podem demorar mais tempo que o normal para repor seus estoques de glicogênio muscular e o condicionamento físico para provas de endurance.

    REIDRATAÇÃO

    Imediatamente após o exercício, a maioria dos atletas geralmente prefere ingerir líquidos em vez de consumir alimentos sólidos. Essa escolha ajuda a reidratar o atleta, e é parte essencial do processo de recuperação. O volume e tipo de líquidos ingeridos, assim como horários para ingestão durante períodos curtos de recuperação (ex.: de apenas algumas horas) são considerações importantes para a reidratação bem-sucedida e exercícios seguintes. Para hidratar plenamente os atletas a curto prazo, eles devem ingerir o equivalente a 150% do volume do peso corporal perdido pelo suor (Shirreffs & Maughan, 2000) devido à maneira que os rins controlam a carga de líquidos. O líquido mais eficaz para reidratar atletas após o exercício é a bebida esportiva bem-formulada em vez de água (Gonzalez-Alonso e col., 1992). A ingestão de bebidas esportivas imediatamente após o exercício oferece não apenas líquidos, mas também o carboidrato que ajuda a iniciar o processo de ressíntese de glicogênio e o sódio que promove a retenção dos líquidos no corpo.

    Parece que quando a recuperação ocorre em prazo curto, por exemplo, ~4 h, os atletas devem ingerir uma quantia adequada de bebidas esportivas (150% do peso corporal perdido) em porções distribuídas durante o período de recuperação; eles não devem simplesmente consumir a bebida o mais rápido possível. Quando se permite que os atletas bebam o volume necessário de uma bebida esportiva voluntariamente, eles consomem a maior parte imediatamente após o exercício e sua capacidade de endurance durante a sessão seguinte de exercícios diminui comparada à ingestão de líquidos que ocorre no decorrer de 4h de recuperação, como prescrito (Wong e col., 1998).

    Apesar de a reidratação bem-sucedida poder ser alcançada em prazo de algumas poucas horas após um longo período de sudorese, há esportes nos quais o tempo é muito limitado para completar esse processo. Em esportes com categorias de peso, tais como luta, boxe, remo e eventos de hipismo, é comum os atletas se desidratarem deliberadamente para conseguir diminuir o peso corporal e assim passar na certificação do peso. Pode ser difícil promover a reidratação no curto período de tempo após a pesagem e antes da competição, mas deve-se tentar isso para o desempenho com sucesso. Não há nenhuma recomendação simples e adequada de reidratação para todas as circunstâncias porque cada esporte tem suas próprias regras com relação ao intervalo de tempo entre a pesagem e a competição, e os atletas têm diferentes necessidades de perda de peso. Portanto, após considerar os requisitos de cada esporte, os atletas devem procurar ajudar a desenvolver uma estratégia de reidratação que seja eficaz durante a competição (Walberg-Rankin, 2000).

    RESUMO

    A reposição dos estoques de glicogênio muscular sustenta a recuperação da capacidade de endurance para exercícios moderados ou de alta intensidade. Portanto, a ingestão de uma quantia suficiente de carboidratos após exercícios intensos é parte essencial de qualquer estratégia de recuperação. A ingestão necessária de carboidratos para repor grandes quedas de glicogênio muscular em 24 h é de aproximadamente 10 g/kg/dia. Quando a ingestão diária de carboidratos é menor que 4 g/kg/dia, ela é insuficiente para manter o exercício diário sub-máximo prolongado (Kirwan e col., 1988; Pascoe e col., 1990). Quando a recuperação é de curta duração, ainda há outra vantagem que pode ser obtida por meio do consumo de bebidas esportivas, que podem oferecer o equivalente a 1 – 1,2 g de carboidratos/kg/h porque isso vai acelerar a ressíntese de glicogênio, ajudar o processo de reidratação e beneficiar o desempenho durante o exercício seguinte. Quando atletas apresentam dor muscular após o exercício, sua recuperação pode ser retardada, não só por causa da dor em si, mas também porque a taxa de ressíntese de glicogênio pode estar mais lenta.

    SUPLEMENTO USANDO A NUTRIÇÃO PARA ACELERAR A RECUPERAÇÃO

    INTRODUÇÃO

    Na maioria dos eventos esportivos, o glicogênio muscular (a forma na qual o carboidrato é armazenado no organismo) é o combustível mais crítico usado para produzir energia para o movimento.

    Com o aumento da duração do exercício, aumenta a probabilidade de que os estoques de glicogênio muscular serão reduzidos até que os músculos não mais consigam atender a demanda de energia, o que causa a fadiga.

    Se o glicogênio usado em um treino ou competição não for totalmente reposto antes do próximo dia de treino ou da próxima competição, é provável que o desempenho do exercício seja comprometido.

    Além da depleção de glicogênio, a desidratação é o principal fator que pode causar a queda do desempenho se não for feita adequadamente durante a recuperação por meio de estratégias adequadas de reidratação.

    Isso quer dizer que quanto maior a demanda do treino ou da competição, maior a quantidade de carboidratos dietéticos necessários para repor os estoques de glicogênio. Uma recomendação simples para a reidratação é “Atletas que suam muito devem beber muito líquido”.

    Esses princípios devem ser traduzidos em estratégias nutricionais que considerem a duração do período de recuperação, as demandas da sessão anterior de exercícios e os da sessão/competição seguintes. É certo que os atletas ingerem alimentos e não nutrientes, portanto, suas escolhas alimentares devem ser consideradas para que a estratégia de recuperação nutricional seja eficaz. Os exemplos seguintes são para atletas que passam por um programa diário intenso ou que competem diariamente em torneios.

    ESTRATÉGIAS DE RECUPERAÇÃO NUTRICIONAL

    Duração da Recuperação: 24 horas

    Quando os treinos terminam no período da manhã, os atletas devem descansar o restante do dia para repor os estoques de glicogênio e reidratar. Imediatamente após terminar a sessão de treino, devem consumir uma bebida esportiva que lhes ofereça o equivalente a aproximadamente 1 g de carboidratos/kg de peso corporal e beber a mesma quantidade em intervalos de hora em hora até a próxima refeição. As refeições do restante do dia devem conter carboidratos o suficiente para que a ingestão desses nutrientes em 24 horas seja de aproximadamente 8 – 10 g/kg. Para um atleta de 80 kg, isso representaria 640 – 800 g de carboidratos para as 24 h.

    A ingestão de uma bebida esportiva não é a única maneira conveniente de se atingir a recomendação de carboidratos nas primeiras horas de recuperação, mas isso vai contribuir para a reidratação e para ajudar a manter o balanço hídrico antes da próxima sessão de treino ou competição.

    Duração da Recuperação: 2- 4 horas

    Quando há duas sessões de treino no dia, costuma haver um intervalo de apenas 4 ou 5 horas entre elas, portanto o período de recuperação não é suficiente para repor os estoques de glicogênio do organismo. Além disso, períodos de recuperação de apenas 2 horas são comuns em torneios de luta e em outros eventos esportivos nos quais os atletas podem ter que competir várias vezes no mesmo dia. No entanto, mesmo nesse curto intervalo, os atletas podem repor uma quantidade significativa de glicogênio. Portanto, devem consumir 0,8-1,2 g de carboidratos/kg por hora em intervalos de 30 minutos para atingir a recuperação máxima de glicogênio muscular antes da próxima sessão de treinos. A maneira mais eficaz para se conseguir isso é consumir uma bebida esportiva para que recebam tanto os carboidratos quanto líquidos. A ingestão de líquidos deve ser equivalente a 150% do peso corporal perdido na sessão anterior – determinado pelo registro do peso corporal antes e depois do exercício. A estratégia nutricional vai garantir a otimização da ressíntese de glicogênio durante o curto período de recuperação. Imediatamente após o exercício, líquidos e não alimentos sólidos são a primeira escolha dos atletas, mas depois de desaquecerem, alimentos passam a ser mais atraente. Portanto, alimentos fontes de carboidratos facilmente digeridos devem ser consumidos, com o cuidado de não comer demais para evitar o desconforto abdominal. (Isso é especificamente importante para corredores e menos para ciclistas).

    Em muitos esportes com categorias de peso, há intervalos de 2 horas ou menos entre a pesagem e o início da competição. Esses atletas que usam a desidratação como método de ‘atingir o peso’ devem usar esse intervalo de tempo para repor os líquidos e carboidratos antes de competir. Ingestão de líquidos equivalente a 150% do peso corporal perdido é recomendada e esse volume deve ser ingerido em pequenas quantidades igualmente distribuídas por todo período antes da competição. Novamente, uma bebida esportiva deve ser a primeira escolha de líquidos não só porque vai promover a reidratação, mas também porque vai fornecer o carboidrato necessário.

    Treinos Diários

    A maioria das sessões de treinos diários antes do início da temporada não são tão intensas a ponto de depletar todos os estoques de carboidratos dos atletas. Entretanto, os atletas precisam conseguir lidar com dias sucessivos de treino a fim de melhorar sua condição física, além de desenvolver novas habilidades e permanecer saudável. Portanto, adotar uma estratégia de recuperação que se concentra na reposição de carboidratos e líquidos deve ser parte de um programa bem planejado de treino. Durante esse período de treino, os atletas têm a oportunidade de ingerir uma ampla gama de alimentos que oferecem as quantias necessárias de carboidratos. A quantidade de carboidratos necessária no período de recuperação é de aproximadamente 5-7 g/kg de peso corporal por dia. Os mesmos princípios nutricionais discutidos acima aplicam-se durante esse período de treino, ou seja, os atletas devem começar a repor seus estoques de carboidratos imediatamente após o exercício por meio do consumo de alguns carboidratos, ou seja, aproximadamente 0,8 – 1,2 g/kg de peso por hora a fim de ‘dar a largada ’ para o processo de ressíntese de glicogênio. Finalmente, se os atletas começam uma sessão de treino mais leves que no dia anterior e não restringiram sua ingestão alimentar, podem estar desidratados. Portanto, o monitoramento do peso corporal antes e depois dos treinos nos fornece informações sobre o balanço energético e funciona como um guia grosseiro sobre o estado de hidratação do atleta.

    Artigo do site: http://www.gssi.com.br